Concurso Kitasuma no Japão

O arquiteto Thiago Hiroshi Arasaki, durante sua estada no Japão trabalhando na Hokkaido Nikken Sekkei, participou do 37º concurso de design para residências chamado KITASUMA.

O tema do ano de 2012 foi “parede” e as relações que esse elemento possui ou fornece com o exterior/interior. KITASUMA em uma tradução literal significa “morar no norte”. O concurso é anual destinado a estudantes e jovens arquitetos da região norte do Japão.

O projeto conceitual foi entregue a banca examinadora em meio a cerca de outros 70 projetos. Foi utilizado um conceito que demonstrava a situação onde o morador poderia estar ao mesmo tempo fora e dentro da casa, ou que não soubesse a diferença entre interno e externo.

O local escolhido para o projeto chama-se Kamui Misaki, que fica bem na borda leste de Hokkaido, pois passaria uma sensação de “liberdade” em uma moradia onde as paredes, ou a ausência delas, pudesse mostrar a conexão entre os espaços.

O trabalho foi classificado entre os 20 primeiros daquele ano. Segue na íntegra o texto explicativo do projeto:

Um espaço inacabado da espaço para que os elementos que são colocados dentro dele produzam a cada vez, um ambiente novo. Um local como esse tem a qualidade de aceitar qualquer elemento, ou seja, a força versatilidade.

O projeto deve ser atemporal. Um espaço inacabado produz um ambiente rico, pronto para aceitar os moradores. A versatilidade esta na integração entre o ato de morar, a vida, o terreno e o ser humano.

Apesar de haver muitos materiais na natureza que possam simbolizar essa versatilidade, imagino que a transparência deva ser predominante. Essa transparência é o elo entre os espaços, ao mesmo tempo que é o antagosnismo entre a privacidade necessária e a visão do entorno para o interior da casa.

A arquitetura deve ser feita na escala do ser humano, para que haja a relação entre o projeto e o morador. Nesse sentido o projeto deve ter vários usos, ou seja, não ser uma algo estático. A natureza nunca para, ela esta sempre mudando, em um ciclo vivo de acontecimentos. Por esse motivo imagino que a casa deva ser mutante também, no sentido de nunca estar completamente acabada. O tempo passa, a vida muda e a casa deve acopanhar o progresso dos seus moradores.

O uso de uma casa deve ser livre e continuo. Porém a parede é a essência da divisão, da privacidade e da separação. Mas porque uma parede precisa dividir espaços? Ela não pode uni-los? Não existe vida sem a parede. Desde antigamente até os dias de hoje, ela já foi de pedra, de gelo, de folhas, de vidro e até mesmo de papel. Precisamos dela, para os mais diversos fins, seja para ter um abrigo, seja para pendurar um quadro.

Contudo, uma parede precisa ser rígida? Pode ser maleável? Precisa ser fixa? Ela pode ter outros usos? Ela precisa existir?

A vista é um fator muito importante. Por isso os materiais usados devem ser translúcidos, seja o vidro, plástico ou mesmo tecido. O que deve ser visto também tem importância, seja jardins, pedras, prédios ou até mesmo o simples fato de ver um visitante chegando à residência.

Os eixos visuais definem a divisão interna do projeto. Mas nem sempre é necessário ter um bloqueio físico para definir um espaço. Até mesmo o seu uso, altura ou cor pode definir um local diferente.

A transparência leva a novas relações a todo momento, diferentes usos, experiências e a própria segurança. Dessa maneira, escolhi pensar em paredes não estáticas, mas que podem se abrir gerando novos espaços. Com isso pode-se trazer a vista exterior para dentro da casa, tanto visualmente quando fisicamente, para criar um ambiente onde não haja distinção entre o interior e o exterior. Esse espaço funcionaria como um local de contemplação, onde a vista a partir dele fosse o mais importante.

 As paredes poderiam ser o que quiséssemos. Seria o ideal de levar sua casa para onde você quiser, e neste local escolher as paredes que lhe agradam. Paredes de cultura, paredes de liberdade, paredes de árvores ou de pedra, voltando ao início dos tempos onde os homens escolhiam o melhor local para morar.

Esta casa seria translúcida “aberta” para as “paredes” que o dono escolher. Assim o espaço sempre seria inacabado e vivo, mudando conforme o entorno, usando a versatilidade do tempo a seu favor.

Com esse intuito a casa adquire uma personalidade no meio da paisagem, sem agredi-la. Deve também ao mesmo tempo aparecer e desaparecer, mimetizar-se sem nunca se submeter ao entorno.

No fim, o espaço torna-se exterior ou interior de acordo com o tempo ou com a necessidade do morador.