A série bibliotecas pelo mundo desembarca hoje na Indonésia. Além de ser um belo exemplo de biblioteca, é também um exemplo interessante de construção sustentável. Isto porque, para ser construída, foram utilizadas 2000 embalagens de sorvetes. Apesar de pequena, a biblioteca representa um excelente estímulo a leitura e alfabetização das crianças na região.

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Tudo começou com uma visita do arquiteto Florian Heinzelmann ao país. Florian notou a escassez de espaços públicos nas vilas por onde passava. Assim, com a ajuda do seu escritório Shau, inaugurou em julho deste ano o espaço de 160m², pensado para abrigar as crianças da vila. O edifício, por ser elevado, permite que o espaço livre do térreo seja utilizado para atividades da comunidade.

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O edifício construído possui a fachada inteira coberta por potes de sorvete reciclados, afim de diminuir a quantidade de lixo na região e conscientizar a população sobre o descarte de plásticos. Os potes, que são fixados em vigas de aço, apresentam uma boa transparência, permitindo a entrada de luz natural. Para ajudar na ventilação cruzada do prédio, metade desses elementos são vazados, ou seja, tiveram suas bases cortadas. A boa ventilação dispensa o uso de ar condicionado no local, ocasionando uma economia de energia.  Já para evitar a entrada da água da chuva, a estratégia utilizada foi inclinar levemente os potes em direção ao exterior. Quando a chuva é mais forte basta deslizar os painéis transparentes que estão localizados no interior da biblioteca, rentes a fachada.

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Um fato curioso em relação a fachada da minibiblioteca é a disposição dos elementos vazados e não vazados. Eles foram intercalados em uma sequência proposital, a fim de formar um código binário (sistema de numeração formado apenas pelos números 0 e 1). Quando transformamos o código em letras, formamos a frase “buku adalah jendela dunia”, que traduzida para o português significa “os livros são a janela do mundo”. Para o arquiteto, “O maior desafio deste projeto foi conseguir os potes em tempo hábil, cortar as bases da metade deles e montá-los de forma a reproduzir o código binário com exatidão”. Todo esse trabalho foi finalizado com um investimento de 125 mil reais, e teve um suporte da ONG Dompet Dhuafa.

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Fonte texto e imagens: Catraca Livre   Zoom

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