No dia 4 de maio comemorou-se o centenário de uma das figuras mais importantes e influentes do urbanismo mundial: Jane Jacobs. A autora do livro “Morte de Vida das Grandes Cidades” fez história e mudou a forma com que todos observavam e analisavam os fenômenos urbanos. Durante a sua vida, Jane trabalhou intensamente para entender o comportamento do meio urbano, e suas conclusões continuam influenciando milhares de pessoas ao redor do planeta.

Jane_Jacobs_arquitete_suas_ideias_01

Nascida na Pensilvânia, Estados Unidos, no dia 4 de maio de 1916, Jane nunca chegou a se formar em nenhuma universidade, mas isso nunca a impediu de enfrentar de igual para igual os tecnocratas do urbanismo moderno. Seu engajamento no âmbito urbano começou no seu próprio bairro. Foi contra muitos projetos que a prefeitura tentava impor e lutou muito para conseguir freá-los. Mobilizou uma grande quantidade de pessoas e fez amizades com pessoas influentes. Jacobs sabia como ninguém as grandes táticas da mobilização urbana e assim tornou-se uma das primeiras vozes da resistência e da participação cidadã. Era contrária às soluções urbanistas da época, que priorizavam o automóvel e as rodovias e desvalorizavam os centros urbanos. Ela acreditava que para intervir na cidade era preciso antes de mais nada conhecê-la e vivenciar aquele espaço. Conhecer os seus moradores, as atividades que são realizadas no local e saber onde se encontra a vitalidade do lugar, eram aspectos preliminares antes de qualquer mudança.

Jane_Jacobs_arquitete_suas_ideias_02

E foi com essas ideias que Jane Jacobs, após muito vivenciar e acompanhar com os próprios olhos a movimentação das cidades, publicou seu livro mais famoso “A morte e vida das grandes cidades” (1961), que se tornou uma espécie de item imprescindível na estante de qualquer urbanista. O livro continha ideias inovadoras para aquela época. Jacobs defendia a vida em comunidade. Acreditava na densidade equilibrada de pessoas, na criação de redes entre vizinhos, na mistura de usos na calçada, na valorização de pedestre e dos espaços públicos, na identidade dos bairros e na visão dos prédios para as calçadas, os famosos “olhos para a rua”. Segundo ela, era tarefa das ruas e das calçadas manter a segurança das cidades. Por isso, esses itens citados eram tão importantes. Ao contrário do urbanismo moderno de Le Corbusier, Jane pensava na rua como uma instituição social complexa e autêntica e não apenas um vazio para passagem. Era contra as cidades-jardins do início de século XX, que segundo ela, pareciam cemitérios arrumadinhos.

Jane_Jacobs_arquitete_suas_ideias_03

“A complexa trama de diferentes usos nas cidades não é uma forma de caos. Pelo contrário, representa uma forma complexa e altamente desenvolvida de ordem.”

E você, como acha que devemos cuidar/utilizar nossas cidades?

Fontes texto: Folha  Arch Daily

Fontes fotos: Static1 Janela Jacobs Project