A transformação urbana de Medellín é um caso bastante conhecido por arquitetos e urbanistas do mundo todo. A cidade, que é a segunda maior da Colômbia, chegou a ser considerada a mais violenta do mundo, com um índice de 318 mortes a cada 100 mil habitantes. A principal causa da violência? Os quartéis de drogas que haviam se instalado no local. Mas, durante as duas últimas décadas, Medellín passou de cidade mais violenta do mundo para um exemplo de inovação urbana, passando por transformações sociais, culturais e urbanas. E toda essa transformação vem sendo reconhecida internacionalmente. Recentemente, foi concedido para Medellín, o Lee Kuan Yew World City Prize, prêmio internacional considerado o mais importante na área do urbanismo. Confira mais a seguir:

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A mudança de Medellín teve início nos setores mais pobres e violentos da cidade, com a implementação de programas sociais e culturais e de projetos urbanos, que na maioria das vezes provinham de concursos públicos, o que deu mais oportunidades a arquitetos mais jovens e aumentou a qualidade dos projetos. O que aconteceu na capital da Colômbia foi a recuperação e implantação de espaços públicos de qualidade, uma verdadeira lição de como esses espaços, relacionados com um transporte público de qualidade e uma gestão política comprometida podem fazer a diferença nas cidades. E o papel dos arquitetos e urbanistas foi fundamental nesse processo.

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A primeira mudança que ocorreu na cidade foi no transporte público. Novas conexões foram planejadas para ligar as comunidades mais pobres aos locais de empregos formais. Como essas populações viviam em encostas muito íngremes para o acesso de ônibus e vans, foram instalados teleféricos e escadas rolantes que conectavam as comunidades com o resto da cidade. O sistema de transporte público, além de garantir o direito de ir e vir das pessoas, estimulava a cultura cidadã e a civilidade. Tratava-se de um sistema integrado que incluía ônibus BRT, trens elevados, teleféricos (já citados) e ainda micro-ônibus para as áreas mais remotas. Toda essa mudança no meio de locomoção dos moradores incluiu também a revitalização de calçadas e um sistema integrado de ciclovias.

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O antigo prefeito de Medellín, Sérgio Fajardo, defendia o projeto de “arquitetura como programa social” e com ajuda de arquitetos locais criou espaços públicos transformadores. Estes locais, que contam com projetos inovadores, são hoje visitados por turistas do mundo inteiro. Um dos grandes exemplos que podemos citar é a Biblioteca e Parque Espanha, localizada no alto de uma colina. O local, que antes abrigava uma penitenciária, hoje proporciona muito mais do que a leitura de livros. Funciona como um centro comunitário, e oferecem atividades profissionalizantes para a comunidade, além de contar com auditório, galeria de arte, área de lazer para crianças, laboratórios de informática e uma grande área externa que serve também como mirante.

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Fonte: Vitruvius  Revista Fórum

Fonte imagens: Archdaily