fonte: http://blog.hugomaesta.com

Hoje vou falar a minha opinião sobre o curso de arquitetura. Já comecei com uma imagem bem clichê sobre o assunto. Você sabe o por quê?

Bem, pra começar, arquitetura hoje não é feita com esquadros ou com transferidores. No tempo da faculdade, ouvia os professores dizerem como era difícil na época deles, sem computadores ou impressoras, quando o desenho devia ser passado a limpo, desenhado a mão e  (quase) sem erros.

Você acha que de linhas e garranchos não nasce um projeto?

Digo isso porque somos humanos e erramos muitas vezes, mesmo quando não podemos errar. Principalmente naquela noite antes da entrega do projeto quando, sem tempo, fazemos vista grossa com uma linha que saiu torta no desenho. Imagina como era há 30, 40 anos. Uma geração somente e o mundo não deu voltas, deu cambalhotas.

Na minha opinião acho muito importante o arquiteto saber se expressar, seja pelo desenho a mão, seja por uma maquete física ou digital, mas o arquiteto não vai estar pronto até ele saber resolver problemas em uma folha de papel ou in loco, na obra. Ou você acha que quando surgir alguma coisa você poderá dizer: “só um instante, vou abrir meu notebook para desenhar esse detalhe e daqui a 2h eu te digo a resposta”. Acho que não.

Hoje, mais importante do que saber desenhar a mão, é saber compreender os softwares de projeto. Eu digo mais importante, pois um projeto se resolve com plantas, cortes, fachadas e principalmente modelos volumétricos em 3D. O início, algum detalhe de execução ou uma discussão da proposta, sempre são feitos a mão, mas o corpo do projeto é todo feito no computador.

Durante o curso de Arquitetura e Urbanismo, você verá diversas matérias, muitas das quais irá pensar que nunca mais usará, outras que não vai usar mesmo, mas tudo tem um propósito: formar um profissional completo. Mas você sai um profissional completo da faculdade? Infelizmente, não. Muito pelo contrário, você se forma completamente perdido no meio de tantas variáveis do mercado. Não há ninguém que saia de uma faculdade de Arquitetura e que possa dizer, estou “formado”. A formação, no significado de transformar-se em alguma coisa – no caso, o artista que projeta – dá-se ao longo de muitos anos. Na faculdade você tem uma base, a ponta do iceberg de tudo o que você poderá fazer no mundo da arquitetura. Para quem fez, para quem quer fazer ou quem não conhece essa área, saiba que ela é bem grande e variada.

Só para exemplificar: depois de formado, você poderá escolher entre áreas como edificações e construção, paisagismo, cenografia, conservação e preservação de patrimônios históricos, design gráfico, comunicação visual, móveis, decoração, interiores, meio ambiente, luminotécnica, urbanismo entre outros ou, como todo arquiteto, você deve ser bom em tudo isso. TUDO ISSO? Bem, quase tudo. Dependendo do projeto, você passará por várias fases que envolverão todos esses aspectos e ainda vários outros, desde a troca de informações com o corpo de bombeiros para projetar uma escada contra incêndio, ou o estudo das leis ambientais sobre o uso do solo até mesmo a escolha do tipo de pastilha que será colocada no banheiro.

Por esses e outros motivos, o arquiteto precisa buscar sempre estar antenado com o que acontece no mundo e à sua volta. Ele precisa de informações que podem vir das mais diversas áreas. Para que isso aconteça, é necessário estudo, experiência e força de vontade. Uma boa saída para adquirir conhecimento é fazer cursos de Pós-graduação no Brasil, ou até mesmo lá fora, para conhecer e entender as especificidades da nossa área e de outras também. Como o ditado diz: “conhecimento nunca é demais, e você vai precisar dele”.

Não é fácil ser arquiteto com tantas variáveis a serem definidas, mas esse tema fica para o próximo post.

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Leia também os demais posts da série, parte 2, parte 3, parte 4 (perguntas e respostas dos leitores)

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